* English version bellow 

A gente tem umas bobeiras na adolescência, né? A imagem é algo muito importante nessa fase da vida e parecer belo aos olhos dos outros é um privilégio de poucas.

Sim, porque a maioria vai ter um “defeito” pra virar alvo de piada. 

Tem a gorda, a magrela, a que tem muita espinha, a que tem muito peito (ou a que não tem nenhum), a que tem o cabelo “assim” ou “assado”….enfim, a lista é infinita.

Tenho lido muito a respeito de insatisfação corporal e uso os adjetivos acima no feminino porque as mulheres, historicamente, sempre foram mais cobradas que os homens para se encaixar nesse tal padrão de beleza.

Quando eu tinha meus 11, 12 anos, não gostava muito do meu nariz. Na verdade, eu até gostava, mas aí me mudei de prédio, fiz uma turminha nova e, no julgamento deles, meu nariz era grande demais. 

Acreditei nisso por um tempo. Mas, felizmente, venho de uma família amorosa que sempre me mostrou que eu era suficientemente linda aos olhos deles. E que isso ia além da minha cara, do meu nariz ou do meu corpo. Me ensinaram que a beleza está na essência. 

De fato, nunca tive um narizinho de princesa. Ele foi herdado do meu pai, que tinha traços fortes e era lindo de doer. Hoje fico feliz por me olhar no espelho e reconhecer semelhanças com aquele que foi o primeiro homem da minha vida.   

Não sei se é ironia do destino, mas uma das coisas que o meu marido mais gosta em mim é o meu nariz. E ele vive fazendo fotos minhas em ângulos que eu evitaria a todo custo há uns 20 anos atrás (como a que ilustra esse post). 

Se você convive há anos com algo que considera um “defeito”, antes de tentar corrigi-lo, pergunte-se a quem está querendo agradar: aos outros, ou a você mesma? Se a resposta for a você mesma…será que é mesmo?

A indústria da cirurgia plástica no Brasil está cada vez mais milionária por conta dessa busca insana pela perfeição. 

Você quer ser um “cristal sem defeitos” ou uma pessoa de verdade e feliz? Eu prefiro ser feliz. ❤

English version

Teenage years are funny. The image is a big deal at this stage and looking pretty to others is a gift of the few. Yes, the majority has a “flaw” which will turn in a joke target. 

There is the fat one, too thin, the one with many pimples, breasts too large (or too small), the hair is “like this” or “like that”…anyway, the list is endless. 

I have been reading a lot about body dissatisfaction and I talk directly with women because we are, historically, way much more pressured than men to fit beauty standards. 

When I was 11 or 12 years old, I didn’t like my nose. Actually, I liked, but I moved to a new neighborhood, got a new group of friends and, in their judgment, my nose was too big.

I believed that for a while. Luckily, I have a very affectionate family so they show me that I was pretty enough in their eyes. They taught me that beauty is something beyond my face, my nose or my body. The beauty is within us. 

In fact, I’ve never had a princess’s nose. It was inherited from my father, who had strong facial features and was so handsome. Today, I feel happy to look through the mirror and recognize similarities with him, who was the first man of my life.

I don’t know if I can call it destiny, but one of the things that my husband likes most in my body is my nose. He always takes pictures in angles that I would avoid to death 20 years ago (as the one that illustrates this text). 

If you live with something that you consider a “flaw”, before to try to repair it, ask yourself who you are trying to please: to the others, or to yourself? If the answer is “to yourself”…are you sure? 

The plastic surgery industry is increasingly millionaire because of this insane pursuit of perfection. 

Do you want to be flawless or just real and happy? I will rather be happy.