Olá, mulheres do meu Brasil. Uma pergunta: vocês já foram chamadas de “princesas” alguma vez na vida, especialmente na infância?

Se sim, isso pode ter gerado um certo impacto em você. Se não, também. Essa é a ideia do documentário Repense o Elogio, dirigido por Estela Renner, que faz parte de uma campanha da marca Avon. Está disponível na íntegra no Youtube.

 

A reflexão é justamente sobre a forma com que os elogios que fazemos às crianças as influenciam na vida adulta. Enquanto meninos geralmente recebem rótulos como “esperto”, “corajoso”, “inteligente” e “forte”, as meninas geralmente ficam com adjetivos como “linda”, “delicada”, “boazinha”, “quietinha”e…claro, “princesa”.

“Ai, mas o mundo tá muito cheio de mimimi, agora não pode chamar de princesa mais?”. Pooooode, QUERIDX. Mas as meninas são muito mais do que princesas.

Vamos entender por que (e prometo não me alongar no tema porque a ideia é que vocês assistam o documentário, rs). Quando uma menina é elogiada por suas características físicas, ela ganha um “peso” nas costas que é o de manter aquilo que lhe é “mais valioso” aos olhos dos outros – a beleza.

Ao mesmo tempo, as meninas que não se enquadram nos padrões de beleza impostos, se sentem diferentes ou inferiores. Aprendem, desde cedo, que para serem valorizadas têm que alisar o cabelo, ser magras e aquele monte de baboseira que a gente já sabe.

Aí você pode se perguntar: mas peraí, a Avon não VENDE beleza? Sim, e é claro que para a marca é interessante as mulheres quererem se sentir bonitas e, para isso, comprar produtos da sua marca para se emperiquetarem. Tudo bem a mulher querer se maquiar e fazer o que quiser com o seu corpo – desde que seja para agradar a ela mesma, e não a mais ninguém.

E a iniciativa é interessante justamente por causa disso: não é sobre parar de chamar as mulheres de bonitas, princesas e etc. Mas sim, sobre um apelo necessário para que os elogios ultrapassem o limite das características físicas.

Mulheres também são fortes.
São inteligentes.
São espertas.
São corajosas.
São sensíveis.
São generosas.

Apesar deste documentário ser muito mais focado na causa do feminismo e nas questões de gênero, acho que repensar os padrões de beleza e resgatar o amor próprio como o que te faz bem tem tudo a ver com a proposta do Marmiteira. 😉

Comentários no Youtube: é todo dia um 7 a 1

Gostei muito de assistir este documentário, mas deu uma deprê quando comecei a ler os comentários do Youtube…Fora que o número de “descurtidas” é infinitamente maior do que o de curtidas, o que me deixou um pouco preocupada: será que as pessoas entenderam MESMO a proposta?

A empatia anda em falta, é nítido, porque o documentário traz depoimentos super marcantes. Acho difícil não tocar as pessoas de alguma forma. Enfim, cada um tem o direito de pensar o que quiser, levar a vida como quiser. Mas aqui, no meu espacinho, eu gosto de compartilhar as coisas que me tocam.

By the way: a Estela Renner é uma diretora super sensível, eu respeito e admiro demais o trabalho dela. Fico um pouco chocada em perceber o quanto falta de sensibilidade nas pessoas para interpretar esse tipo de material, tão essencial nos dias de hoje.

Ela assina um documentários que na minha opinião é um dos mais importantes dentro do tema alimentação infantil, Muito Além do Peso, sinceramente não me lembro se já dei a dica aqui, mas se dei dou de novo porque esse vale a pena.

Alias, assistam todos os documentários da Maria Farinha Filmes. Vocês só têm a ganhar.

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Pra finalizar esse texto, escolhi uma frase LACRADORA do documentário que acho que resume bem o que ela quis passar com este filme.

“Às vezes o elogio é a projeção do padrão.” #fikdik