O percentual de gordura das famosas é da nossa conta?

Outro dia eu estava lendo estes sites de fofoca e fiquei um pouco assustada com uma matéria que falava sobre a nova dieta de uma atriz global. Não vou citar nomes aqui, mas ela sempre teve um corpo lindo, nunca pensei que ela precisasse de dieta para emagrecer mais.

A tal matéria falava que ela estava feliz por ter passado do manequim 36 (que já é uma raridade entre nós, curvilíneas brasileiras) para o 34. TRINTA. E. QUATRO. Gente, quem veste 34? Sim, a Sandy talvez.

Sandy

“Ah, para com isso!”

Mas a Sandy sempre foi um cisco, tem a estrutura pequena, delicada, e é baixinha. Não é o caso dessa atriz, que nitidamente tem uma estrutura maior.

Passeando pelo mesmo site – sim, gente, eu tava bem à toa – vi uma outra fulana lá se gabando por ter pouco mais de 7% de gordura no corpo. SETE. POR. CENTO.

Gente, para tudo.

Stop it!

Que mundo é esse? Onde é que a gente se perdeu?

Eu acho que esse tipo de informação serve como um baita convite para quem já tem certa tendência desenvolver um distúrbio alimentar. Lembrando que um percentual de gordura considerado normal para uma mulher é de 20% a 24%. 

Mas eu sou jornalista e preciso fazer a mea culpa. ESTE TIPO DE NOTÍCIA VENDE. Eu mesma já fiz umas 399 matérias entrevistando famosas que diziam o que comiam no café da manhã, no almoço, no jantar, que tipo de atividade física faziam para manter o corpitcho, que tratamento estético apostavam para acabar com a celulite e por aí vai.

O problema não está no teor da matéria em si, e sim, em como a gente a interpreta.

Eu acho até ok ler este tipo de coisa como ENTRETENIMENTO. Sim, aquele momento que você não tem mais nada pra fazer e clica numa matéria e pá: “Olha, que interessante, a Juliana Paes come tapioca com peito de peru de manhã. E veja que bunda linda que ela tem”. Isso eu acho normal.

Tá tudo certo, desde que exista senso crítico. É preciso enxergar este tipo de conteúdo como uma coisa pra você ler quando está de bobeira, para se divertir, para relaxar a cabeça. E não como exemplos a serem seguidos. 

Se você tem estrutura para vestir um manequim 34, ok, corra atrás dos seus objetivos. Mas desde que seja com responsabilidade. Eu, por exemplo, corri a vida inteira (e ainda corro) pra me manter no 38. Mas porque isso tem a ver com meu contexto de vida e se encaixa no meu biotipo, a minha altura e estrutura. E também porque é o manequim que eu mais me sinto bem, me sinto confortável, me sinto no meu peso ideal.

Mas é bom lembrar que dieta e atividade física são pessoais e intransferíveis. Dependem de muitos fatores.

O legal é achar o que é melhor para você com acompanhamento médico, com equilíbrio, sem paranoia, sem mirar em gente que tem o biotipo totalmente diferente do seu. Cabe a nós decidir que tipo de informação guardar e qual dispensar.

Um sopro de esperança

Em contrapartida li uma outra matéria muito interessante sobre a atriz Carla Marins, que está batendo um bolão aos 48 anos de idade. 

Tirando uma ou outra “fórmula de beleza” citada no texto, achei a entrevista muito equilibrada. Primeiro porque ela fala que conseguiu o corpo que tanto sonhava somente aos 37 anos, o que prova que não existe milagre para o dito “corpo perfeito” que não seja dedicação, esforço e paciência. Não é uma dietinha detox que vai fazer a pessoa secar do dia pra noite, nem shake, nem remédio.

Ela se mostrou verdadeiramente interessada em uma alimentação com “comida de verdade”, sem nenhum ingrediente mirabolante, e deixou claro que esse é um dos fatores que contaram em favor do seu corpo. “Não sou uma pessoa que precisa ter roupas e peças de grife. Meu luxo é a alimentação”, disse, na entrevista. Achei essa frase tão maravilhosa. #meidentifico

O que ficou, para mim, foi uma mensagem de moderação, tão em falta ultimamente. Um corpo saudável depende de inúmeros fatores, não só do percentual de gordura (que, por sinal, ela não mencionou na entrevista). Essa eu vou até dar o link porque dá gosto de ler.

Quero deixar claro aqui que não estou fazendo uma crítica a quem tem percentual de gordura menor do que 20%, nem a quem escreve sobre essas pessoas. De novo: já escrevi matérias deste tipo e acredito na importância delas como entretenimento.

Só queria mesmo deixar um convite para lermos com mais critério essas dicas maravilhosas das famosas. Vamos buscar o que é viável para nós, priorizando sempre a saúde. Procurar no espelho uma imagem que faz bem somente a nós mesmas, e não a um padrão imposto.

Não importa o percentual de gordura da fulana, não. Vai por mim. 😉

 

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