Sempre que surge uma nova promessa de emagrecimento, o assunto vira moda. Começam a sair mais matérias sobre o tema, além de muitos depoimentos de famosas falando sobre a nova dieta, treino ou alimento da vez. 

Isso aconteceu com o Mindfulness, que até pouco tempo atrás não era uma prática muito discutida no Brasil, mas foi ganhando espaço aos poucos, graças ao avanço da Nutrição Comportamental.

O método incentiva as pessoas a praticarem a atenção plena, o que é algo muito difícil no mundo atual, cheio de estímulos tecnológicos.

Já foi comprovado que conseguir se conectar com o momento presente pode ter muitos efeitos positivos, como a diminuição do estresse e até o aumento da produtividade.

Uma das vertentes dessa técnica é o Mindful Eating, e hoje também já se sabe que a capacidade de comer prestando atenção no alimento ajuda a diminuir a compulsão e o exagero

Mas quando se trata de emagrecimento, nem sempre é fácil distinguir o que é verdade do que é sensacionalismo.

Felizmente, a ciência está aí para fazer o belo trabalho de investigar, testar e aprovar (ou não) tais métodos.

Entrevistei a pesquisadora PhD Rachel Radin, que atua em um projeto no Departamento de Psiquiatria da University of California San Francisco (UCSF) para investigar os benefícios trazidos pela prática do Mindfulness, especialmente no que diz respeito ao estresse e à compulsão alimentar. 

A entrevista completa, em inglês, está no próprio site da universidade, e você pode conferir clicando aqui, no site do Aging, Metabolism, and Emotions (AME) Center da universidade

Alguns pontos a serem destacados

Rachel falou sobre a importância de não enxergar o peso como objetivo final, mas sim, como uma consequência das melhorias na saúde. O que ela comprovou até agora, junto com seu time de pesquisadores:  

→ Que as pessoas que incorporaram a prática do Mindfulness no seu dia-a-dia demonstraram melhora nos níveis de triglicérides, HDL (colesterol bom) e açúcar no sangue após um ano em que começou a intervenção.

→ O Mindfulness se mostrou uma ferramenta eficaz contra a compulsão alimentar.

→ E, o principal, a técnica provocou uma mudança significativa na relação dos participantes com a comida e trouxe melhores comportamentos alimentares.

É interessante ver resultados científicos, mas, se você for parar pra pensar, parece óbvio:

→ Se você presta atenção ao que come, pode ser que sinta mais o sabor das coisas e passe até a fazer melhores escolhas alimentares.

→ Muito provável também que coma menos, porque vai comer mais devagar e vai conseguir sentir o sinal da saciedade chegando. 

→ Com isso, há grandes chances de ver uma melhora considerável na saúde como um todo, e, voilá, até chegar ao seu melhor peso.

O lance é praticar aos poucos e não se cobrar tanto. Somos humanos, não máquinas, e por isso mesmo alguns hábitos não são tão facilmente modificados. Mas é possível! A ciência comprova. 😉

O que é viável pra você?

A última coisa que eu gostaria de destacar dessa entrevista foi o que a Rachel falou sobre orientações, conselhos e dicas alimentares. 

Ela me disse que os participantes são muito mais propensos a incorporarem uma mudança no dia-a-dia quando a solução parte deles mesmos, do que quando ouvem a orientação de terceiros. 

Não estou aqui desmerecendo os profissionais da área, pelo contrário: o acompanhamento de nutricionistas, médicos e psicólogos que possam orientar uma perda de peso saudável é fundamental!

Mas, além disso, a própria pessoa tem que quebrar um pouco a cabeça para tentar apontar o que ela pode mudar na própria rotina.

Às vezes uma coisinha pequena, como levar os próprios snacks pro trabalho, pode acabar dando fôlego para uma mudança maior. Por exemplo, quem sabe…tentar levar marmita algumas vezes por semana? Ou cozinhar mais ao invés de pedir comida todo dia? 😀

O Minfulness pode parecer algo impossível numa rotina em que o tempo é escasso. Mas cabe a nós mesmos cavarmos um espaço na agenda para priorizar a nossa saúde. Nem que seja um pouquinho por dia. 😉

Se você quer saber mais sobre Mindful Eating e sobre Nutrição Comportamental, dá uma olhadinha nestes textos aqui:

Mindful Eating: você pensa no que come, ou simplesmente come?

A mente está mais perto do estômago do que você imagina; Freud explica

Precisa de chia, amaranto e óleo de coco pra ser saudável? Não!

Foco, força e fé: este é mesmo o segredo do emagrecimento?