Eu já cheguei à conclusão que um dos maiores inimigos da alimentação saudável é os nomes que damos para as coisas, querendo dizer que elas são outras coisas.

Complicado, né? Explico. Quando você nomeia um prato como “estrogonofe”, por exemplo. O seu cérebro já tem um registro do que significa isso e já espera: a textura do creme de leite, a picância da mostarda junto à doçura do catchup. Se bobear ele já até espera o “crec crec” da batata palha junto com tudo isso.

Pois esses dias eu resolvi testar a tal da biomassa de banana. A primeira receita que fiz com ela foi o que? O que? Estrogonofe, amigos!

Meu marido, cobaia de todas as horas, olhou com certa desconfiança para o prato.

WTF?!?

WTF?!?

De fato, ele não ficou assim, com gosto/cara de estrogonofe. Mas em minha própria defesa e na da biomassa, justifico: como eu tento não exagerar em ingredientes industrializados nas minhas receitas, coloquei pouco catchup e mostarda.

Além disso, o caldo ficou mais para o pastoso do que para o líquido, devido à textura da biomassa que é mais densa que a do creme de leite. Acredito que, para quem gosta de cremes mais líquidos, daria para acrescentar um pouquinho de leite que ficaria tudo certo.

No final das contas, eu achei o prato uma delícia. Não é estrogonofe, mas é bão também. E a cara tá bonita, gente, olha aí.

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Um quase Estrogonofe de frango com biomassa de banana

Ingredientes
1 xícara de biomassa de banana
200 g de franguinho cortado estilo estrogonofe
1/2 cebola
2 dentes de alho
1 fio de óleo
1 xícara de champignon picado
1 colher (sopa) de catchup
1 colher (sopa) de mostarda
Sal e pimenta a gosto
Uma pitada de noz-moscada
Cebolinha fresca a gosto

Modo de preparo
Refogue a cebola e o alho em um fio de óleo, acrescente o frango, o sal, a pimenta e a noz-moscada. Quando ele estiver bem refogadinho, acrescente o champignon, a biomassa, o catchup e a mostarda. Finalize com cebolinha fresca e sirva com arroz.

Em defesa da biomassa de banana verde
Até agora, essa foi a única receita que fiz com biomassa de banana verde. Mas eu gostei muito de duas coisas: da sua textura e da ausência de sabor, o que nos permite usar esse ingrediente em doces e salgados sem comprometer o gosto.

Além disso, o legal é poder usá-la no lugar de ingredientes calóricos e com menor valor nutricional – como o leite condensado ou o creme de leite. Apesar da ausência de sabor, todos os nutrientes da banana estão lá na biomassa. Olha que maravilha!

Tem uma infinidade de coisas que dá para testar e eu pretendo fazê-lo em breve: bolos, shakes, pães e outros molhos salgados para usar em carnes, frangos e massas. Meu cobaia que me aguarde.

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Para fazer a biomassa
Outra vantagem da biomassa de banana verde é que é muito simples de fazer. É só comprar um cacho de banana bem verdinho (eu usei a prata), lavar bem, e colocar na panela de pressão, cobrindo com água.

É importante manter as cascas e não deixar a polpa da fruta à mostra. Quando pegar pressão, conte dez minutinhos e desligue. Espere esfriar bem, descasque as bananas e bata a polpa (que vai estar bem molinha) no processador. Está pronta!

Se achar que não vai usar tudo em uma só receita, congele em porções pequenas. Eu fiz isso e deu super certo.